MATÉRIA MÉDICA DIALÉTICA

Ser ou não ser: eis a questão.
Willian Shakeaspere

Ser e não ser: eis a solução.
O autor

Agradecimento:
Dr. Carlos Melo, de Goiânia,
pelo incentivo.

I. RESUMO

Objetivos: I – propor uma metodologia para a investigação de sintomas mais importantes de uma determinada matéria médica e compreender a inter-relação entre estes dados.

Material: 1) homeopático: sintomas patogenésicos, matéria médica clínica, repertório, estudos publicados em revistas especializadas, incluindo casos clínicos. 2) princípios da dialética: antagonismo, gradação e analogia. 3) dicionários.

Método: Tomam-se alguns sintomas para exemplificar cada um dos princípios dialéticos. Em seguida, formam-se dois grupos, os quais correspondem às metades inversas e complementares de um único tema.

Resultados: forma-se o Quadro Bipolar com sintomas de ambos os pólos.

Palavras-chave: homeopatia, matéria médica, método, dialética, pólo.

II – INTRODUÇÃO

“A pesquisa cientifica deve ser planejada desde a escolha do tema, fixação dos objetivos,
determinação da metodologia, coleta dos dados, sua análise e interpretação para a elaboração do relatório final”. (10)

Método constitui um conjunto de procedimentos ordenados para se alcançar um objetivo e o tema deste texto é o estudo de matéria médica (MM). A investigação e análise dos dados
patogenésicos, clínicos e repertoriais de um determinado medicamento homeopático constitui uma verdadeira pesquisa científica. Neste caso, a finalidade é conhecer as características mais marcantes e, se possível, o tema específico de um determinado medicamento. Os sintomas representam os fatores que precisam ser entendidos e contextualizados, segundo uma dinâmica exclusiva, que se desvela à medida que se examina o material.

O método dialético (MD) surgiu aproximadamente em 1985.

III – OBJETIVOS

I – Propor uma metodologia para a investigação de sintomas mais importantes de uma
determinada matéria médica e compreender a inter-relação entre estes dados, bem como a gradação dos mesmos.

IV – METODOLOGIA
IV.1 – MÉTODO TRADICIONAL

É necessário ficar claro o conceito de peculiaridade, pois ele é fundamental para o emprego
clínico do medicamento. Entende-se por peculiar aquilo que é estranho, singular, incomum, não usual; distinto dos outros em natureza ou caráter; propriedade ou privilégio que pertence exclusivamente ou caracteristicamente a alguém; ou que pertence a algumas pessoas, grupo ou coisa. (13)
Toda matéria médica deve ser vista de forma global, mas com preferência naquilo que a
distingue de todas as demais. Portanto, o primeiro critério é de que o sintoma raro, estranho e peculiar tem primazia para caracterizar o medicamento. O segundo item a se observar refere-se à freqüência de algum determinado sintoma ou modalidade naquela matéria médica. Quanto mais vezes ocorrer, maior a importância atribuída ao sintoma. Este aspecto contrabalança o anterior e forma com ele uma unidade dialética: o primeiro mostra o alto valor de um sintoma dependendo de sua raridade em comparação com os demais medicamentos, e o segundo critério realça o peso do sintoma de acordo com a freqüência aumentada numa mesma matéria médica. Exemplos:
Critério raridade: a) o sintoma disposição cheia de vontades e deseja intensamente, mas não sabe o quê (6) é exclusivo de Ipeca. b) descarga vaginal profusa; flui como a menstruação e com um odor semelhante (5) – alteração exclusiva de Causticum.
Critério alta freqüência repertorial: a) o sintoma “náusea” aparece cerca de 50 (cinqüenta) vezes em Ipeca (12), associado às mais diferentes situações. b) o sintoma “choro” ocorre aproximadamente 35 vezes em Causticum (12), em variadas circunstâncias.
Estes dois critérios correspondem à análise descritiva dos sintomas da matéria médica.

IV.2 – MÉTODO DIALÉTICO

Não há ciência sem o emprego de métodos científicos.
Marconi & Lakatos

São quatro os métodos considerados científicos: “indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo,
dialético”(8). Informações mais detalhadas sobre a dialética aparecem nas obras de Metodologia Científica (7), dentre outras, mostrando que ela se apóia em quatro leis fundamentais: ação recíproca, mudança dialética, passagem da quantidade à qualidade e interpenetração dos contrários. Derivando destes mencionados princípios, o MD propõe três novos recursos para o estudo da MM: antagonismo, gradação, e analogia, descritos abaixo.

IV.1. Antagonismo

Constitui o aspecto mais típico do MD. Os sintomas que se opõe mutuamente mostram a
presença de metades inversas e complementares, e devem ser priorizados na seleção dos dados.
Vejamos dois sintomas extraídos de Causticum:

a1- Compadecido excessivamente; em relação aos outros e das crueldades que lhe foram
infligidas (5).

a2 –Quando ela fecha seus olhos, sempre aparecem expressões assustadoras e faces humanas distorcidas diante dela (5).

Em resumo, num pólo a compaixão e no outro o horror. Num lado, quem o cerca é digno de
simpatia, ainda que atingido por crueldades; no lado oposto, sente-se rodeado por criaturas apavorantes, cujos traços de humanidade mostram-se distorcidos. No pólo positivo temos a presença de um sentimento nobre e no pólo negativo a perda desta virtude com o surgimento do medo e de um
ser humano distorcido.

Igualmente, os sintomas mais peculiares de Lycopodium podem ser agrupados assim:

Pólo negativo (P-): vários sintomas giram em torno de uma perda de confiança em si mesmo, especialmente no que se refere à sua própria força: perda da confiança em sua força (5), tais como timidez, ansiedade, antecipação, etc.

Pólo positivo (P+): diversos sintomas demonstram o excesso de confiança em sua própria
força, a exemplo da obstinação, intolerância à contradição, ditatorial, etc, como aparece em insanidade e fúria, irrompendo em inveja, exigências e comandando os outros à sua volta (5).

Aplicação clínica: alguns medicamentos disponibilizam muito mais informação sobre um
pólo de sua matéria médica e somente uma de suas faces é conhecida. O método dialético permite elaborar uma hipótese sobre a metade ainda não revelada em patogenesias ou na clínica. No caso de Tarentula hispanica, o quadro de sintomas relacionados na literatura mostra um nítido predomínio do P-: falsidade, fingimento, ameaça, auto-agressão e, aparentemente sem conexão com o resto, tem-se ingratidão (3). Estudando minuciosamente o significado de diversos sintomas, pode-se deduzir que a ideia principal nesta polaridade negativa é não reconhecer (ingratidão) e não permitir o reconhecimento (simulação). Na investigação desta MM, levantou-se, então, a hipótese de que o P+
fosse o oposto dos sintomas já conhecidos: gratidão e reconhecimento. Posteriormente, ambas as possibilidades foram constatadas na clínica. Uma paciente, sexo feminino, adulta jovem, tinha com frequência a sensação de já “conhecer” lugares e pessoas, os quais ela jamais havia visto. Pode-se dizer que, neste pólo, o reconhecimento fica exagerado. Confirmou-se o tema gratidão no caso de um garoto de cerca de 5 anos de idade, com queixa de alergia respiratória, agitação, e desobediência. Após algumas prescrições, sem resposta, observou-se durante uma consulta em que o paciente fazia um desenho, que ele se mostrava exageradamente polido, utilizando termos raríssimos do tipo “gentileza sua!”, para agradecer o fato de eu lhe ter fornecido um material que havia solicitado.
Considerando a compatibilidade do restante do quadro de sintomas do paciente, a escolha de Tarentula hispanica conduziu a uma resposta satisfatória.

IV.2. Gradação

Dois ou mais sintomas podem exprimir diferentes intensidades ou um “tempo” distinto da
mesma alteração. Isto significa que ambos fazem parte de uma única face, não disponibilizando nenhuma informação sobre o pólo oposto. O que num momento parece vago, impreciso, ou apenas uma possibilidade, aparece num outro sintoma como algo acontecido, realizado, definido. O que era perspectiva, ansiedade, medo, impressão, torna-se fato e, posteriormente, pode ocorrer até mesmo de forma exagerada. Nas duas polaridades existe uma tendência à intensificação, à concretização, ao excesso, por meio dos acréscimos quantitativos. Note-se que nos exemplos citados abaixo ocorre uma intensificação muito acentuada dos sintomas desencadeando uma mudança qualitativa. É necessário estar atento ao significado para se detectar a relação entre os sintomas discretos e os extremos.

Exemplo 1: Pólo positivo em Causticum:
b1. Ansiosamente cuidadoso, em relação a todas as ocorrências. (5).
b2. Compadecido excessivamente; em relatos dos outros e das crueldades que lhe foram
infligidas (5).
b3. Chora por compaixão pelos outros. Ditatorial. (12)

A preocupação com os familiares representa o estágio inicial da compaixão, na forma peculiar de Causticum viver sua gradação neste tema. E a compassividade pode se intensificar a ponto de chorar diante da situação das pessoas. Além disso, este medicamento é classicamente reconhecido como o ditador bonzinho (4). Expressa tal característica através da superproteção. Pode-se dizer que o compassivo hipertrofiou-se e tenta impor ao outro aquilo que considera mais conveniente.

Exemplo 2: Pólo negativo de Hyoscyamus:
b7. Medo de ser traído. (6)
b8. Ele se deita nu na cama. (5)
b9. Revela segredos. (9)

A acepção mais coerente com o restante de sintomas de Hyosc para a palavra “trair” é descobrir ou revelar, por exemplo, alguma coisa que a prudência ocultaria (2). Então, pode-se dizer que o medo de ser descoberto acontece de fato quando o paciente “está nu”. Revelar segredos vai um passo além; enquanto ficar nu denota uma exposição passiva, pois depende da capacidade do outro para perceber as coisas, divulgar assunto sigiloso exige uma ação ativa.

Aplicação clínica: Onde existem dados discretos é possível prever a intensificação deles e quando as alterações são berrantes pode-se imaginar como seriam em tons mais brandos. Uma paciente queixou-se de que “gostaria de ter a mente e o corpo no mesmo lugar para fazer as coisas mais bem feitas. Mas enquanto o corpo está aqui, a mente já está em outro lugar!” (14) Foi admitido que se ela agravasse o quadro, desenvolveria de modo franco o sintoma “sensação de dualidade”, o qual se encontrava ainda em grau discreto. A referida paciente foi medicada com Baptisia tinctoria, que é um dos principais medicamentos na rubrica ilusão de dualidade, e evoluiu muito bem. Este medicamento tem o interessante sintoma, o qual parece explicar a sensação da paciente: Não é capaz de confinar sua mente (1).

IV.3. Analogia

É a possibilidade de sintomas do mesmo ou de diferentes níveis terem um conteúdo
semelhante. Neste caso, não há oposição como no antagonismo nem intensificação como na gradação, e sim uma correspondência ou similaridade. Exemplo, ainda em Causticum:

c1. Em desacordo, divergência consigo mesmo (5).
c2. Paralisia de um lado da face (1).
c3. Hipocrisia (11).

A divergência ou desacordo consigo mesmo, a hipocrisia e a paralisia facial expressam o
mesmo conflito. Na paralisia, face direita discorda da esquerda; elas deixaram de ser o complemento simétrico uma da outra – é uma autêntica disparidade consigo mesmo. Hipocrisia significa, dentre outras coisas, insinceridade, falsidade, estado de ter duas caras (2).

Aplicação clínica:

Depois de um estudo criterioso de Hura brasiliensis, valorizou-se o sintoma sensação de que um pequeno pedaço da unha foi arrancado (1), considerando a relação entre carne e unha um símbolo importante deste medicamento. No P+ este conceito caminha para o exagero e torna-se disposto a amar todo mundo, especialmente os que o rodeiam (1), transformando algum relacionamento numa amizade especial, algo inseparável como carne e unha. No P- tende a sofrer as separações como dolorosas rupturas, lembrando uma unha que ao sofrer um descolamento parcial caminha para a separação completa, sentindo-se rejeitada.

Segue-se o relato de uma criança de dez anos, falando sobre o seu próprio desenho: “Era uma vez uma casa abandonada. Tinha uns meninos que sempre iam lá… Certa vez quando chegaram lá estava tudo quebrado. Entraram para ver e tinha um bando de meninos de rua quebrando as coisas.”

“Depois estava sendo reformada para virar uma igreja. Os meninos ficaram tristes porque estava em reforma: eles gostavam de ir sempre ali… e todos os dias iam ver a reforma. Quando ela terminou, ficaram admirados. Quando começaram as aulas, eles nunca mais viram a igreja.”

Observa-se a repetição do abandono, tanto nos personagens (meninos de rua) quanto em relação à casa. As crianças de rua quebram a casa toda. O sintoma quebrar em Hura sugere ruptura brusca e radical. Depois, um contato diário com a reforma da casa em igreja e, finalmente, um afastamento definitivo, para nunca mais voltar lá. Vale a pena citar ainda o sintoma: sonha com demolição de prédio público; ele caminhava entre ruínas (1).

Um mês depois da dose única de Hura 1000FC, novo desenho: a história incluía naufrágio, viver durante muitos anos numa ilha e resgate por outro navio. A mãe acrescentou que o paciente estava parando de roer unhas, e tinha melhorado a letra para escrever, porém esteve mais agressivo no período, o que foi visto pelo profissional como reação curativa – grito de socorro do paciente para que seus pais o aceitem.

No mês seguinte, nova avaliação: “depois de pescaria com dificuldade para se pegar peixe, moço abandona o local e nunca mais volta lá; a floresta é desmatada e ninguém mais foi lá. Então, o IBAMA reflorestou e proibiu caçar, pescar e derrubar árvores; o lugar tornou-se área de lazer”.

Parece que o paciente estava encontrando uma solução para o seu principal discurso, a ruptura definitiva seguida de abandono. Locais que antes foram completamente abandonados, como a igreja e a ilha, tornam-se áreas de lazer aonde se vai ocasionalmente.

V. QUADRO BIPOLAR

O primeiro passo do MD consiste em selecionar os sintomas que obedecem a algum dos critérios já descritos: antagonismo, gradação, analogia, raridade e alta freqüência repertorial, e distribuí-los em três grupos, denominados de Pólo positivo (P+), Pólo negativo (P-) e Pólo misto (P±), cujas características compreendem:

  1. P+: classificam-se neste agrupamento os sintomas que expressam a presença ou existência de alguma função, qualidade, princípio ou virtude (fqpv), ainda que de forma exagerada. Exemplo: administração, agrupamento, altruísmo, amizade, amor, arranjo, associação, benevolência, coerência, combinação, condução, confiança, coordenação, coragem, dignidade, eqüidade, equilíbrio, esperança, expressão, fidelidade, definição, firmeza, harmonia, integração, justiça, liderança, limite, ordem, proteção, recomeço, resignação, resistência, sabedoria, sensatez, seqüência, termo,
  2. P-: incluem-se neste grupo os sintomas que evidenciam a carência ou falta de alguma função, qualidade, princípio, ou virtude (fqpv), ainda que tal ausência se mostre de forma exagerada. O excesso no P+ geralmente é mais fácil de se entender; no entanto, o pólo negativo também mostra sintomas acentuados seja de carência, diminuição ou perda. Portanto, a intensidade de um sintoma não caracteriza nenhum pólo. A classificação quanto aos pólos se faz pela presença ou ausência de algum fqpv.
  3. P±: fazem parte deste conjunto os sintomas que contém aspectos de ambos os pólos. Também aqui se colocam os sintomas interessantes, cujo pólo não parece evidente. À medida que os sintomas vão sendo alocados nos pólos positivo e negativo, este P±

É recomendável iniciar a distribuição dos sintomas por aqueles mais típicos, cuja bipolaridade, gradação ou analogia se mostrem evidentes, deixando os “duvidosos” para uma segunda etapa. Posteriormente, pode-se definir com segurança em qual pólo se deve classificar determinado sintoma ou desmembrá-lo, levando um pedaço para o P+ e o outro para o P-. Estes dois conjuntos formam a dupla face do medicamento, e assim temos uma visão dialética dele. O que um lado afirma, o outro nega ou desconhece; o que este exalta, o outro abomina, e aquilo que um engrandece, o outro anula ou avilta.

Os sintomas de cada Pólo permitem, freqüentemente, classificá-los em três categorias, de acordo com a gradação: discretos, moderados e extremos. Assim, no início do Pólo colocam-se os sintomas sutis e leves, que apenas esboçam a presença ou ausência do tema; depois os de maior intensidade, nos quais a questão se revela franca, clara e inconfundível e, finalmente, os extremos, que podem chegar ao exagero, à distorção, à caricatura.

A distribuição dos sintomas ao longo dos pólos permite a elaboração de um quadro bipolar, como o que se vê na Figura 1.

FIGURA 1 – QUADRO BIPOLAR

                       P-: Pólo negativo                               P+: Pólo positivo

BIBLIOGRAFIA

  1. Allen, T.F. Encyclopedia of Pure Materia Medica. Disponível no software Ecyclopaedia Homeopathica.
  2. Dicionário on-line. Versão 5.0.
  3. Boericke, W. Poecket Manual of Homeopathic Materia Medica. Disponível no software Ecyclopaedia
  4. Candegabe E.F. Anotações pessoais de aulas durante curso de formação na Escuela Medica Homeopática Argentina, 1979.
  5. Hahnemann, S. Chronic Diseases/Pure Materia Medica. Disponível no software Ecyclopaedia Homeopathica.
  6. Hering, C. Guiding Symptoms. Disponível no software Ecyclopaedia
  7. Lakatos, E.M & Marconi, M.A. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo, Atlas,
  8. Lakatos, E.M. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo, Atlas,
  9. Lilienthal, S. Homeopathic Therapeutics. Disponível no software Ecyclopaedia Homeopathica.
  10. Manual de orientação para trabalhos acadêmicos. Disponível no site: http://www.asser.com.br/arquivos/interface_arquivos/servicos_arquivos/paginas/orientacao_aasp. Acesso em 31/03/05.
  11. Murphy, R. Homeopathic Medical Repertory. Disponível no software Ecyclopaedia Homeopathica.
  12. RADAR for Windows, versão
  13. Radom House Webster’s Unabridged Dictionary – Collexion Reference Engine, version II; Novell,
  14. Vieira, G.R. Laws of cure on the mental level. Revista Links,

Gilberto Ribeiro Vieira

Secretaria de Saúde do Acre Professor de Pediatria da UFAC Mestre em Medicina e Saúde – UFBA Autor do livro Evangelhoterapia

 

 

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