Dioxinum – Matéria Médica Dialética

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DIOXINUM

 

                                                                            Gilberto Ribeiro Vieira

vidaeprognostico@gmail.com

                                                    Associação Médica Homeopática de Minas Gerais

 

 

RESUMO

 O autor apresenta um estudo dialético[1] da matéria médica de Dioxinum[2], conforme dados obtidos em experimentação realizada pela Sociedade Gaúcha de Homeopatia.

A compreensão da sintomatologia possibilita estabelecer a seguinte hipótese: permissividade ou consentimento no polo positivo e intolerância ou objetividade no polo negativo. Inicialmente, agrupa vários sintomas nos referidos polos, demonstrando a relação e/ou gradação existente entre eles. Em seguida, analisa diversos dados, incluindo alguns bipolares. E conclui que a intoxicação ambiental pela dioxina corresponde à fase de permissividade da civilização, com resultados nocivos também para os jovens, especialmente a gravidez na adolescência.

PALAVRAS CHAVES: dioxinum, homeopatia, matéria médica, consentimento, intolerância.

 

 

ABSTRACTS

 

The author presents a dialectic1 study of the materia medica of Dioxinum2, according to the data obtained from a proving done by the Sociedade Gaúcha de Homeopatia. The understanding of the symptomatology allows establishing the following hypothesis:  permissiveness or consentaneousness in the positive pole and intolerance or objectivity in the negative pole. First, he groups many symptoms in the mentioned poles, showing the relation and/or the gradation among them. After, he analyses some data, including some bipolar symptoms. And he concludes that the environmental intoxication corresponds to the permissive phase of our civilization, with bad consequences also to the youth, especially the pregnancy in the teenage.

KEY WORDS: dioxinum, homeopathy, materia medica, consent, intolerance.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Aparentemente, Dioxinum gira em torno do tema permitir/consentir com as seguintes nuances, que surgem da palavra permitir no dicionário: 1. Dar liberdade, poder ou licença para; consentir em: 2.Dar lugar, ocasião, a: 3.Admitir, tolerar: 5.Autorizar a fazer uso de: 6.Dar, conceder: .Tornar possível.[3]

Conforme o método dialético, o Pólo Positivo (P+) tende ao exagero da qualidade, portanto, à permissividade, envolvendo situações que não deveriam ser consentidas: tolerância excessiva, a exemplo de dar liberdade para que uma pessoa mexesse em sua própria bolsa, e caminha para efetuar mudanças de cidade, e cometer erros. Importa comentar que erro significa desvio de bom caminho; desregramento, falta, correspondendo, neste caso, a uma manifestação de tolerância exacerbada. As palavras fogem e não retornam, a panela pode se queimar no fogão, e faz o que sente vontade, sendo tudo possível, e, no fundo, o que promove o excesso, é o fato de não se importar com o que vão pensar dela – ou seja, os outros podem pensar o que quiserem, é-lhes dada tal permissão.

O consentimento exacerbado também aparece quando se permite a si mesmo dizer o que pensa, e surge de modo indireto quando invadem a sua casa, escritório, linha telefônica. Irrita-se porque as pessoas não cumprem o acordado, e este representa aquilo que foi consentido por deliberação mútua.

No Polo Negativo (P-), Dioxi manifesta-se menos tolerante, com tendência a ficar mais objetivo, travado, e a se bater contra eventuais barreiras. Vale frisar que objetivo é: caráter da atitude, ou do procedimento, que é, ou pretende ser estritamente adequado às circunstâncias. A objetividade não condiz com a permissão, não dá lugar à liberdade. Portanto, torna-se mais dura, mais insensível, mais fria. Não abre mão de suas próprias opiniões. Risca as coisas, o que indica que algo foi descartado, inferindo-se, portanto, não permitido. Perde a libido, não consentindo a aproximação do marido. Exige que cada um se responsabilize pelos seus deveres. Não tolera interrupção e reclama que as pessoas devem respeitar os direitos um do outro. Sente como se a língua estivesse presa. E por não se considerar admitida (sinônimo de permitir) acaba se sentindo rejeitada. Mostra uma visão negativa da vida, sendo que negativo significa: restritivo, proibitivo. O que é corroborado pelo pessimismo: como se nada fosse bom e nada mais de positivo fosse acontecer.

Assim, no Polo Positivo os limites são frouxos, e mesmo quando há riscos, permite-se a si mesmo algumas condescendências, desde o desligamento de algumas obrigações até ao ponto em que “a panela se queima” ou concede aos outros uma liberdade excessiva que provoca situações constrangedoras ou a invasão de seu espaço pessoal, evidente no sintoma: Primeiro sonhei que brigava com minha secretária do consultório porque ao voltar do banheiro a encontrei sentada na minha cadeira e mexendo na minha mesa e gavetas, como se fossem dela…

Destaca-se também o sintoma mexe com a questão de preservar os meus limites, o meu espaço. A permissividade é um obscurecimento dos limites, mas no Polo Negativo surge a intransigência, a irritação com a lentidão dos outros, e, talvez, o que pode considerar como símbolo da polaridade negativa: bater de frente em uma coluna, já que “bater de frente” é uma expressão típica de quando alguém enfrenta uma determinação superior que restringe ou proíbe algo. Reitera tal sensação quando se sente sem espaço – liberdade, consentimento – e atropela ou agride o seu meio: ao passar em espaços menores atropelava as coisas e batia nas pessoas. Note-se que a imagem relacionada à morte é de um descanso, mas parece carecer de uma permissão para isso: Talvez não fosse tão ruim parar com tudo, ser “chamada”… seria como sentar depois de ficar muito tempo de pé. Lembra a ordem que um militar daria ao seu subordinado, depois de longo tempo em atividade. Outro dado peculiar é: e me perdi na volta. Perder significa deixar ir. Então, perdeu-se porque se permitiu ir numa direção inadequada – as coisas não têm que voltar obrigatoriamente para o local de onde saíram. Sintoma semelhante a este é: Erro o caminho pegando uma direção errada. Existe um roteiro, mas ele admite sair e pegar a direção “errada”.

É possível que no P- o paciente se queixe da rigidez da estrutura social que o impede de realizar as coisas que deseja, fazendo-o se chocar com as normas, pessoas e instituições. Nesse Polo, ou ele é intransigente ou reclama da intransigência do mundo. Posso ser mais firme e tenho opiniões das quais não abro mão.

Tal postura acima encontra um antagonismo perfeito no Polo Positivo através da permissividade – que torna tudo possível, admissível – a ponto de perceber que iam chocar contra o seu próprio carro e não se proteger. Tudo indica que ele permite a agressão dos outros para consigo, num sinal claro de consentimento inadequado e patológico. Esta permissão exagerada leva a uma sensação muito importante e peculiar: uma tristeza profunda como se tivesse errado com alguma coisa, um vazio, como se não houvesse nada que valesse a pena na vida. A concessão reiterada é um extremo – de tanto ceder em situações nas quais deveria opor alguma resistência ou limite, dá a impressão que nada vale de verdade, pois qualquer coisa, princípio ou fundamento pode ser negociado ou abolido, dependendo das circunstâncias. Ceder ou consentir sempre acarreta a sensação que as coisas não têm valor, então, é como se nada valesse a pena na vida.

Desse modo, a permissividade exagerada produz um quadro de indiferença, onde tudo pode e nada afeta: Fico feliz quando vejo meu filho, mas não fico mais triste quando ele vai embora. Dá a sensação que tudo é normal, tudo faz parte!…

Vale encerrar com um sintoma bipolar: Bati de leve no carro da frente – apesar de ter muito espaço. Espaço, dentre outros sentidos, significa: livre de pressão externa o suficiente para desenvolver ou explorar sua própria individualidade, interesses e necessidades[4]. Bater implica colidir, que quer dizer: encontrar oposição; conflito. Portanto, há espaço para o indivíduo manobrar, isto é, fazer escolhas, mas ele não lida bem com isso e acaba confrontando, atritando. Ele dispõe de liberdade, mas não o suficiente. Assim, apesar da sensação de ter consentimento para explorar a si mesmo e ao meio, ele colide com alguém ou com alguma coisa, revelando que se sente cerceado.

Dioxinum requer o diagnóstico diferencial com Plumbum, que oscila entre o excesso de disciplina e regras no P+ e a necessidade de quebrar estas regras, vistas como proibições no P-, e que tem na personalidade de Mahatma Gandhi uma extraordinária ilustração. No caso da Dioxi a permissividade – em seu polo positivo – lembra a atração para desrespeitar as normas vigentes – polo negativo de Plb –, contudo o princípio, função ou qualidade de ambos é diferente. Dioxinum permite que as coisas sejam feitas e/ou aconteçam, sem a menor referência ao fato de que tenham sido vedadas em algum momento, mas isso acontece devido à tolerância, ao consentimento, à permissão, ao acordado.

 

Agrupamento de sintomas de Dioxinum:

  1. Polo positivo: a) permite/consente; b) é permitido/consentido.
    1. permite/consente: irritabilidade devido às pessoas não cumprirem o acordado. Estou me sentindo segura, feliz e bem disposta. Estou me achando bonita e tenho vontade de usar batom. Fico feliz quando vejo meu filho, mas não fico mais triste quando ele vai embora. Após acordar, ainda na cama, comecei a rir (estava rindo de algo sem saber o motivo). Houve melhora na acuidade mental, absorvendo mais coisas, mais disponível e mais clara para os raciocínios. Vi que iam bater contra o meu carro e não me protegi. Pedi ao porteiro do edifício que colocasse a mão dentro de minha bolsa para pegar as chaves para mim. Tive uma tosse sem perceber, uma tosse sem sentir. Pareciam várias pessoas, após parecia somente uma (vulto). Pareciam fantasmas.
    2. é permitido/consentido: As pessoas me falam seguidamente que estou falante e mais bonita. Talvez não fosse tão ruim parar com tudo, ser “chamada”… seria como sentar depois de ficar muito tempo de pé. Também apareceu o desejo de mudar de casa, de cidade, de fazer a vida de outra maneira. E me perdi na volta. Senti uma tristeza profunda como se tivesse errado com alguma coisa, um vazio, como se não houvesse nada que valesse a pena na minha vida. Me sinto segura também em relação a falar com as pessoas, também ao falar o que tenho vontade sem me importar com o que elas vão achar de mim. Erro o caminho pegando uma direção errada. Erro na colocação das letras, trocando letras e às vezes faltando letras. Estou aérea, o que ia falar me foge e não mais retorna. Esquece-se do que está falando, tem brancos. Pela manhã fui cozinhar e esqueci a panela no fogo, sentia o cheiro e não me dava conta que era na minha casa. Já queimei várias vezes a comida. Desligamento de algumas obrigações. Erro de trajeto três vezes.
  2. Polo negativo – não permite/ não consente e não é permitido/consentido.
    1. não permite/ não consente: mais senso de responsabilidade e objetividade. Mais questionadora, menos tolerante com as pessoas. E estou riscando toda a minha agenda. Hoje estou triste e riscando tudo. Liguei para meu marido, convidei-o para irmos à praia e ele queria levar a sua filha, fiquei muito brava, e briguei com ele por ciúmes da sua filha. Ao falar sobre um roubo que tive no meu carro choro muito. Incapacidade de trabalhar várias coisas ao mesmo tempo e apaga a memória recente. Perdi totalmente a libido e tenho tido aversão ao hálito do meu marido. Intransigência, mas não emocional e sim ao nível mental. Na memória e no raciocínio não cabem mais coisas do que está ocorrendo naquele momento. Baixou o interesse e a confiança nas pessoas, mais dura, mais insensível, mais fria. Pego uma folha de papel e risco sem parar. Posso ser mais firme e tenho opiniões das quais não abro mão. Irritada com a lentidão das coisas. Muito brava com minha filha, pois precisava organizar a matéria médica de Lilium tigrinum e ela me solicita muitas vezes. Fico indignada com o acréscimo sem consultar o associado previamente. Minha filha resolveu brincar no computador e fiquei muito irritada, xinguei-a, chamei-lhe a atenção da necessidade de cada um respeitar o direito do outro. Ando indignada com várias coisas, quero que cada um se responsabilize por seus deveres. Quando estou concentrada, fazendo alguma tarefa não quero ser interrompida a toda hora. Muita irritação e pouca tolerância frente aos fatos. Desejando ficar só, sem ninguém, não queria nem a presença do marido. Tenho mordido com frequência a minha língua, tanto comendo como às vezes ao falar ou fazer algum movimento com a língua.
    2. não é permitido/consentido: Erros ao falar por travar a língua e não conseguir falar, como se a língua estivesse presa. Me sinto rejeitada. Ao manobrar o carro na garagem bati de frente em uma coluna. Tristeza com desânimo, visão negativa da vida. Mexe com a questão de preservar os meus limites, o meu espaço. Olhando para mim com um olhar inquisitivo. Tornei-me mais madura, serena e consistente como pessoa. Engordei uns 5 Kg e não consigo perder mesmo fazendo dieta. Como se nada fosse bom e nada mais de positivo fosse acontecer. Por sorte estava devagar. Ao passar em espaços menores atropelava as coisas e batia nas pessoas.

 

***    ***    ***

 

Em seguida, descrevem-se vários sintomas de ambos os polos, com um pequeno comentário, de acordo com o entendimento proposto acima:

Polo negativo:

Dor de cabeça ardente, no ápice como se estivesse sendo empurrada para cima. Normalmente tenho tido esta dor, principalmente quando sobe minha pressão.

Os limites não são estáticos, imóveis, mas pressionam, empurram, até o ponto em que dificultam ou impedem o movimento da própria pessoa.

Alguns sintomas abaixo seguem o mesmo raciocínio de algo que pressiona numa determinada direção, podendo chegar ao bloqueio:

Era uma rápida sensação de velamento, bloqueio como perda da função da área correspondente ao lobo frontal direito…

Sinto também um pouco de plenitude nos ouvidos (pior no ouvido direito), como se estivesse tapado, a sensação vai e vem e às vezes é como uma pressão bem leve de fora para dentro.

Desconforto doloroso na região dos músculos do ombro direito, esta dor, contínua e surda, tipo dor dolorida subia estendendo-se para o músculo látero-posterior da região cervical direita e também pelo braço até a parte média do deltóide. A dor foi piorando e teve seu pico por volta de 19:30 ou 20:00 horas. A pressão sobre o músculo mostrou-se bastante dolorosa.

– a pressão é um empurrão dos limites para o interior da pessoa.

Tenho mordido com frequência a minha língua, tanto comendo como às vezes ao falar ou fazer algum movimento com a língua.

– note-se que a língua está contida pelos limites, a ponto destes baterem nela, machucando-a.

Não consegui ir aos pés durante todo o dia. Estou um pouco inchada e elimino, às vezes, alguns gases com odor de fezes. No início, estava indo muito bem aos pés, mesmo me sentindo inchada e agora parece que estou meio trancada.

– excesso de objetividade, limites estreitos, “trancada”. Trancar significa: segurar ou fechar com tranca; prender, enclausurar; cancelar, riscar, dentre outros. Observe-se o verbo riscar, presente nos sintomas mentais de Dioxi.

A dor nas costas persistiu aumentando ao longo do dia, ao entardecer a rigidez por contratura aumentou muito e por volta de 23:00 horas ficou muito intensa, caminhava toda dura sem poder mover as costas. No leito comecei a ter muita dor que ora se assentava mais no quadril esquerdo e ora na região do omoplata direito. As dores impediam a respiração, tinha que respirar muito superficialmente. A cada movimento respiratório a dor atingia todo o quadril e a perna esquerda.

–os limites se estreitam a ponto de imobilizar a paciente. Ela fica enrijecida, dura. Vale lembrar que pode ocorrer na forma ativa, quando ela se mostra dura e intransigente com os outros, tentando enquadrá-los em limites rigorosos.

Dor como se o pé estivesse se esfarelando.

– esfarelando porque se bateu contra algo muito duro, intransigente?

Estou com as pernas duras, ao caminhar parece que estão travadas (pareço uma pessoa esquizofrênica caminhando toda dura), estou lenta para fazer as coisas.

– a dureza generalizada foi identificada como uma coisa grave, acompanhada da sensação de travamento, que significa tolher ou impedir os movimentos de; cruzar, entrecruzar. Não permite ou não se permite, daí o enrijecimento. Alguns sintomas apresentam piora da dor quando se cruza as pernas, possivelmente porque tolhe os movimentos, portanto, a liberdade.

Estou travada, meu sintoma pior hoje é que ao caminhar parece que minhas pernas não saem do lugar. As dores de ontem passaram.

– sente que não há permissão de se mover… A seguir, mais dois sintomas semelhantes:

À noite fiquei mais lenta, não conseguia andar rápido, ou melhor, caminhava quase parada, meus joelhos parecia que estavam travados (enferrujados).

Dor na virilha esquerda que impede a destreza do movimento logo que levanta da posição sentada, logo após uma nova dose da substância.

Me sentindo esguia, como mais magra.

– os limites se estreitaram, pressionando o indivíduo. Magro (thin) corresponde ao que perde peso ou substância2.

Sonhei que meu amigo “rapaz que namoro” estava indo embora, como se estivesse me traindo ou morrendo, como se nunca mais fosse vê-lo e fiquei muito triste e quando cheguei ao meu trabalho não estava pensando no sonho, comecei a chorar desesperadamente sem pensar na razão.

– a redução de espaço para se viver as coisas manifesta-se através da incapacidade para lidar com o encerramento prematuro de um relacionamento. Não se dispõe de liberdade. Não se permite ao outro tomar o rumo que ele decide.

 

Polo Positivo:

Poucas horas após volta novamente a sentir a cefaléia ardente entre o cérebro e a calota craniana que empurra para fora como se fosse abrir. 

Reação de ultrapassar um limite muito rígido.

A barriga parece que mexe sozinha. Algo se mexe dentro dela, logo abaixo do umbigo, parece um feto. Bolhas de ar que parece ser um feto.

– o movimento espontâneo corresponde à liberdade, o qual tem relação com o primeiro significado de permitir: Dar liberdade, poder ou licença para.

Estou com certa dificuldade de conciliar o sono devido às inúmeras extra-sístoles que sinto.

– extra-sístole é uma contração prematura. É interessante estar relacionada à permissividade e ao vazio: se o coração não bate firme e forte, com todo o seu potencial, significa que algo pode ser cedido, permitido, liberado, pois, indiretamente aquilo que foi concedido representa algo que não se quer tanto… Se não há adesão, apego a nada, vem a sensação de que nada vale a pena e consequentemente o vazio interior.

Extra-sístoles com sensação de vácuo no peito, durante exercício físico. Repetiu-se tantas vezes que parei o exercício aeróbico neste dia. Este sintoma repetiu-se nos dias subsequentes.

– relacionado com a sensação de vazio e que nada mais vale a pena.

Ando com a libido baixa, quero ficar abraçada, junto, mas não estou a fim de transar.

–  é possível viver variações, não há um padrão único ou alguma restrição absoluta. Pode-se abraçar, fazer carícias sem obrigatoriamente chegar à relação sexual.

Há mais sensibilidade ao toque e os órgãos genitais e seios estão quentes e receptivos, mais do que o usual. É algo mais intenso, mais livre de amarras, sem ser puramente sexual. É bem uma integração do corpo, da alma e do coração (afeto) numa relação com o outro.

– livre de amarras. A primeira acepção de permitir é: Dar liberdade, poder ou licença para; consentir em.

Acordo pela manhã com as mãos dormentes e com o ombro e região da escápula esquerdos completamente amortecidos e com leve formigamento e com sensação que o braço esquerdo vai paralisar. Esta sensação faz com que tire o sutiã para obter alívio, pois parece que o mesmo aperta-me no local e que traz maior desconforto, contudo retirar o sutiã também não alivia. Esta sensação produz inquietude com necessidade de mover-me de um lado a outro na cama com insônia.

– há um desconforto e acredita-se que a remoção de um limite solucione o problema; mover-se de um lado para o outro demonstra permissão, espaço concedido, liberdade.

Um sonho com um bicho branco como um coelho ou porquinho da índia que estava dentro de meu apartamento, porém não conseguia identificá-lo, pois não enxergava direito logo após aparecem ao invés do dito bicho uns dois gatos cinzas que também não consigo ver direito e que me agridem nos pés.

– invasão de espaço → significa um consentimento implícito, já que evidencia a ausência de limites seguros e confiáveis.

Sonho estranho: caminho pela minha casa e acho-a quente, quando vou subir o degrau para ir para a parte superior da casa o mesmo se separa do resto da casa e da fenda emana fumaça, o que me faz pensar que minha casa está incendiando a partir da parte que fica abaixo do chão. Em pânico vou atrás de meu marido e dou ordens para que as crianças se retirem do ambiente e vejam se estão todos a salvo. Enquanto isto tento telefonar para os bombeiros, mas não consigo, tudo fica truncado, inclusive quando vou pegar o telefone para contatar alguém, há alguém na linha convidando para um programa cultural. Peço para a pessoa contatar os bombeiros para mim. Quando falo sobre o fato para meu marido, ele chora e eu digo a ele que aquele não seria o momento para ele reagir daquele jeito que tínhamos que providenciar um jeito de exterminar com o incêndio.

– a falta de limites e a permissividade ocasionaram um incêndio, o qual significa grande estrago, destruição, calamidade. A solução é abandonar o local, em busca de segurança. A linha telefônica também foi invadida. E quem deveria tomar atitudes de impor limites aos danos e reverter o quadro, apenas chora, configurando o excesso de submissão às circunstâncias.

Duas pápulas de mais ou menos 2 mm de diâmetro na orelha esquerda após ouvir desabafo por telefone sem poder contrapor a minha opinião. Raiva reprimida.

– permite, submete-se. Há uma vontade de impor limites, mas as forças são insuficientes. Note-se a que as bolhas surgem na orelha, porque a raiva foi em relação ao que se ouviu.

Existe um grupo importante de sintomas relacionados à maternidade, cuja idéia central parece-me relacionada também ao polo positivo:

Sonhei que tinha dado a luz a um menino e também que cuidava de outras crianças.

O sonho muito vívido – parece real – me lembro que sentindo a sensação de paralisia queria parar de tomar o medicamento. A sensação do sonho foi muito real e ruim, o quarto parecia disforme, maior, o banheiro tinha ursos de pelúcia como num quarto de criança. A sensação no corpo foi como um desfalecimento, aquele estado antes da anestesia.

Acordo morta de sono e ainda cansada. Não lembro tão bem dos sonhos, foram meio confusos, com parentes e com crianças e bebês. Um sonho tranquilo.

Me lembro de um sonho que tive em que estava grávida e fui fazer uma ecografia que mostrou que esperava quatro bebês.

Passei a dormir muito de costas com as mãos sobre o abdome, aquecendo a barriga, lembrando a mulher grávida querendo aquecer e proteger o feto. Andei sonhando e pensando muitas coisas sobre maternidade.  A libido está normal.

A associação entre maternidade e Dioxinum é fato de se atribuir à mãe o papel da permissividade. Quando se pretende demonstrar o grau de liberalidade de um chefe ou autoridade que permite tudo, diz-se que “ele é uma mãe!” Além disso, gravidez significa criatividade, inventividade. Talvez o extremo máximo do polo positivo seja a permissão para a inventividade. No imaginário, tudo é possível…

Sonhei que ganhei um bebê com problemas de saúde, parece-me que com malformação. Só lembro disto um tempão depois e me dou conta que esqueci o bebê no hospital. Falo para meu esposo sobre o nosso filho que ele também esqueceu completamente. Penso no drama de ir buscá-lo agora e me parece que ele já vai estar grande, fico triste e culpada com isto, é como se tivesse esquecido porque quis abandoná-lo pela malformação.

– má-formação significa formação anormal ou defeituosa, de origem congênita ou hereditária.  É necessário gozar de um pouco de liberdade para criar algo diferente do padrão intransigente da genética. Depois, também se requer permissividade consigo mesmo para esquecer o filho – rejeição disfarçada.

Sonhei que estava em uma loja comprando uma camisa branca, estava junto de minha mãe, ao sair da loja minha mãe sumiu, fiquei procurando-a e parecia que nunca mais iria encontrá-la. (Procurava minha mãe caminhando na rua, às vezes ela aparecia na outra rua, mas eu não conseguia chegar perto dela).

– a mãe pode sumir; há tanto espaço que ela aparece ao longe e não é possível se aproximar. Este sonho modaliza um pouco as concessões exageradas, que admitem até o desaparecimento das coisas e pessoas, o que será obviamente seguido pela sensação de vazio.

 

Sintomas Bipolares:

Finalmente, alguns sintomas bipolares, nos quais há a presença de limites e uma tentativa de transpô-los:

Botou para fora tudo o que não gostava que lhe faziam e também o que pensava e também foi rude. Virou normal falar a verdade sem restrições. Sinto que não tenho mais trava na língua. Fala cruelmente a verdade que fere.

– ele se permite dizer o que quiser, através da língua destravada. As suas palavras também não têm restrições. Mas, sua permissividade não alcança o outro, pelo contrário, fala a verdade que fere, recorrendo, provavelmente, à objetividade e à dureza.

Deixei cair um pote de anilina – não sei o que minha filha vai dizer.

– permitiu-se uma falha, mas se preocupa com a cobrança da filha.

Irritabilidade devido às pessoas não cumprirem o acordado.

– o que foi combinado, concordado torna-se uma exigência. É necessário seguir objetivamente o que foi acordado.

Língua com impressão dos dentes e sensação de estar aumentada.

– língua aumentada sugere que fala demais, fala sem restrições, mas encontra colunas contra as quais se bate.

Tornei-me mais madura, serena e consistente como pessoa. Engordei uns 5 Kg e não consigo perder mesmo fazendo dieta.

– o ganho de peso sugere que o indivíduo ultrapassou os limites habituais do próprio corpo ou em referência a uma determinada população. Isso geralmente está associado a uma permissividade (P+) consigo mesmo em relação a hábitos alimentares e às atividades físicas. Contudo, ocorre um aumento da consistência (P-). Ressalte-se que consistente significa duro, sólido, o que é coerente com a dureza em suas afirmações para os outros.

Mamas muito inchadas e doloridas.

– relacionado com aumento de peso, ficar mais consistente, o que sugere polo negativo. Por outro lado, ultrapassa-se o limite estabelecido, indicando polo positivo.

Tenho tido descamação nas plantas com perda da pele e os pés incham muito ficam umas bolas e terminam por machucarem-se nos sapatos. Sintoma que perdura há mais de 3 ou 4 meses.

– lembra o confronto com os limites. Diagnóstico Diferencial: Petroleum.

Primeiro sonhei que brigava com minha secretária do consultório porque ao voltar do banheiro encontrei-a sentada na minha cadeira e mexendo na minha mesa e gavetas, como se fossem dela, colocando seus pertences dentro das gavetas e deixando seu tricô numa delas. Eu lhe chamei a atenção, indignada, e ela ironizou e fez pouco caso. Nós discutimos, eu procurando chamar a atenção dela sobre como uma secretária deve se comportar e falando que ela estava sendo abusiva e invasiva. Ela riu debochando e eu a empurrei com força, me segurando para não dar um tapa nela.

– o outro se sente “autorizado” a invadir o espaço do sujeito e este tenta colocar limites no comportamento abusivo. Há um predomínio do P+, pois a invasão acontece, cabendo ao P- apenas a tentativa de impor um limite.

Sonhei que uma homeopata brasileira que mora no exterior estava voltando para o Brasil para ministrar aulas de Genética e eu tinha que organizar o curso. Sonhei também com bichos, cachorros para adoção e golfinhos e botos que pareciam orcas, com manchas brancas. Os bichos nadavam aos pares, mães com seus filhotes e vinham em direção a mim, eu estava no final de um rio. Os bichos eram amigáveis e não senti medo.

–  genética é como um rio: existe um movimento, mas é numa única direção. O fluxo é controlado por limites laterais intransponíveis. Já os animais são do tipo de grande mobilidade, especialmente os golfinhos. Repete-se o item mãe-filhos.

No primeiro dia da medicação, algumas horas após, teve um sonho significativo. Tenho uma irmã que sempre foi muito submissa ao marido e que sempre se queixou dele, mas que nunca tomou uma decisão definitiva para mudar a relação enquanto ele era vivo. No sonho, minha irmã aparece na igreja e ele vai sentar-se junto a ela. Porém, ela se levanta e se dirige para outro lado. Um dos filhos deles, que também é falecido, levanta-se, olha para mim e ri. O sentido do riso é uma denúncia da má relação do casal e do fato de ela pela primeira vez publicamente deixar muito claro que não ficaria mais ao lado dele. O sonho traduza um posicionamento claro dela em relação a uma situação que a oprimia há muitos anos.

– a submissão advém da permissão para que o outro exerça a autoridade excessiva. O sonho revela o início de uma reação, uma atitude de colocar limites.

Fui aprisionada por uma pessoa (acho que era um homem) que me segurava para me fazer algum dano, gritava por socorro e sentia no sonho que os gritos não saiam alto, somente algum tempo após pude começar a emitir gritos mais altos que foi quando acordei meu esposo.

– segurada, contida, por um homem para lhe causar danos, mas há um grau de permissão, mostrado por meio dos gritos contidos.

Dores nas virilhas, súbitas, cortantes como por uma faca, ora numa, ora noutra, intercaladamente e de caráter errático.

– errante significa: o que vagueia. É permitido ir para um lado e outro, daqui para ali… Lembra o sintoma mental: como se tivesse errado com alguma coisa. Por outro lado, cortante tem a ver com cortar, colocar limite, não permitir.

 

 

Conclusão

Aparentemente, o tema de Dioxinum envolve o conceito de liberdade, e pode-se refletir acerca de uma de suas acepções: poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas1. A autodeterminação se choca com os limites sociais. É um aprendizado fundamental, complexo e laborioso. Requer uma atuação firme e constante dos pais junto aos filhos. Talvez, por isso, o pai tende a ser, com mais frequência, rígido e castrador, ao passo que a mãe, superprotetora.

A intoxicação ambiental pela Dioxina[5], de acordo com Ângela Lanner Vieira, possivelmente corresponde ao comportamento generalizado de permissividade, cujas consequências se manifestam em várias atitudes, destacando-se a gravidez na adolescência. Os pais saíram, no intervalo de poucos anos, de uma postura repressora para a omissão[6], esquivando-se de seu papel indeclinável de orientadores e estabelecedores de limites claros e seguros. Educar, em termos dioxínicos, é uma conciliação entre permitir e determinar limites.

O desequilíbrio social num princípio tão básico como a liberdade, atrai a intoxicação por uma substância que lhe corresponde. A sexualidade desorientada, o sexo como droga – de uso generalizado e inconsequente[7]– encontra na Dioxina a sua expressão química. É necessário atuar em ambas as frentes: na educação e responsabilização do ser humano perante o sexo, bem como agir diante do agente tóxico. Eles constituem um só e único fenômeno, entrelaçados e coesos, manifestando-se em suas respectivas áreas. Não basta a desintoxicação ambiental sem o aprimoramento do homem.

[1] Vieira, G.R. Matéria Médica Dialética. Disponível no site: www.cesaho.com.br

[2] Todos os sintomas aqui analisados foram produzidos pelo grupo de experimentadores da Sociedade Gaúcha de Homeopatia.

[3] Aurélio Eletrônico. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa corresponde à 3ª. edição, 1ª. impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI, O Dicionário da Língua Portuguesa.

[4] The American Heritage Dictionary of the English Language, Third Edition is licensed from Houghton Mifflin Company. Copyright © 1992 by Houghton Mifflin Company. All rights reserved.

[5] Vieira, A.L. Dioxina – novas pesquisas. Disponível no site: http://www.amhmg.org/simillimum/50.htm, acesso em 08.10.2007.

[6] Vieira, G.V. Adole*sente. Secretarias de Saúde e Educação do Estado do Acre, 2004. Disponível no site: http://www.mofra.org.br/cgi-mofra/biblio/arq/Estudo/index.php?dir=.%2FLivros+Diversos

[7] Vieira, G.V. Adolesanto. No prelo. Disponível no site: http://www.mofra.org.br/cgi-mofra/biblio/arq/Estudo/index.php?dir=.%2FLivros+Diversos

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