O estudo detalhado do prognóstico é um dos capítulos de que se dedica também a medicina de Hahnemann [Homeopatia] e integra qualquer compêndio que se propõe a ensiná-la. No entanto, como se observa com muita clareza, o prognóstico homeopático permaneceu seguindo critérios da enfermidade, desconsiderando o conceito essencial que norteia o saber hahnemanniano: o foco no doente e não na sua doença clínica. (…)

Na atualidade, assistimos a uma ciência médica, dita oficial, empenhada com extremo afinco na afanosa busca por novos medicamentos que venham impor um paradeiro às muitas enfermidades humanas, esquecida do aspecto que mais deveria importar: o indivíduo e sua capacidade de intervir positiva ou negativamente em sua propensão ao adoecimento e na evolução de sua doença. Extirpam-se doenças com relativo sucesso, porém, se o campo mórbido do doente permanece em desequilíbrio, ele continuará como um terreno fértil, pronto a produzir novos adoecimentos.

Assim, facilmente antevemos a imensa capacidade dos fundamentos aqui expostos de somar-se a todas correntes do saber humano que anunciam o novo paradigma que em breve deverá alentar a medicina vigente: a constatação de que as doenças não requerem unicamente acirrado combate por meios externos. A nobre ciência da saúde deverá compreender que o fenômeno enfermidade não se funda em injustificável aleatoriedade ou a determinismo nada mais que genético, e que os fatores emocionais não devem ser compreendidos apenas como coadjuvantes do processo patológico. Como mostram as evidências desta bem composta pesquisa, a interferência dos fatores psíquicos e psicológicos é decisiva não só na evolução da enfermidade, mas também na sua produção e sustento.

Isso bastará para abrir-se novas perspectivas no campo da etiologia e da terapêutica médica, com reflexos sobretudo na medicina preventiva. E ainda, se nos convencermos de que toda enfermidade natural tem suas raízes no terreno mórbido do enfermo, então, facilmente, deduziremos que, se o doente é capaz de promover o seu adoecimento, de igual modo traz recursos suficientes para saná-los. Recursos que, segundo antevemos, deverão ser explorados ao máximo na nova medicina do futuro, como já o faz a homeopatia.

Gilson Freire

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